quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

ADALZIRA LISBOA (Adalza).

Viveu em Santa Rita até meados de 1960, quando, envergonhada por suas atitudes estranhas, sua família mudou-se, tomando destino ignorado. Filha de bodegueiro e enfermeira, a moça de família conhecida, passou à ser acometida de um mal súbito que a fazia perder os sentidos, em pleno Mercado Público, sempre aos domingos antes da missa das 06 da manhã, quando a mesma vestia uma saia de cambraia, bem engomada, e blusa de mangas curtas de linho branca, com flores azul-claras bordadas na gola, alpercatas de meio salto, e sacola de agave, onde trazia sua feira. Adalza era muito observada e não passava despercebida, sua tez alva como neve, altura de 1,50m e delicadeza, desmaiava na encruzilhada que corta o mercado, só vindo recobrar os sentidos após ser transladada para algum lugar seguro, pelos braços robustos e suados dos estivadores, balaieiros, e receber àgua, atenção e afago dos verdureiros e marchantes que ali trabalhavam, e se preocupavam até em não sujar a fina cambraia da saia de Adalza. Pobre Adalza. Sua mãe ficava deveras rubra ao tomar conhecimento dos passamentos da filha, e mais ainda ao saber sob quais condições ela tornava. Um dia Adalza apareceu grávida, provavelmente, fruto dos instantes de lapso e vulnerabilidade dos seus passamentos. A família, envergonhada, partiu de Santa Rita com destino ignorado, e a distinta Adalzira Lisboa, ficou lembrada pelos estivadores, comerciantes e paroquianos como "Adalza, a boa".





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