quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

VIOLINA MARIA DA CONCEIÇÃO (*1900 +1989)

Nos arredores da "Volta do Quimba", caminho da Usina São João, viveu uma das mais emblemáticas e enigmáticas figuras que a Rainha dos Canaviais já conhecera. Trata-se de uma Portuguesa, nascida na cidade de Mêda, num chalé simples, ao lado da Torre do Relógio, e trazida para Santa Rita ainda adolescente, aos 14 anos de idade, Violina veio com seu pai Joaquim Rodrigues, fugidos da 1a Guerra Mundial, onde o mesmo assumiu o posto de Mestre de Caldeira da citada Usina, e receberam uma casa simples para morarem, no contorno que por coincidência trazia o nome de Volta do Coimbra, mas, popularmente era e ainda é chamado de "Volta do Quimba". Sua Mãe, Maria Rodrigues da Conceição, falecera de Tifo ainda em Portugal, 3 meses antes da vinda da família para Santa Rita. A casa de Violina era uma casa modesta, cercada de frondosos pés de Manga, alguns centenários, que faziam sombra do nascer ao por do sol em todos os lados da casa. as paredes de tijolos maciços rebocadas com barro, permaneciam úmidas o ano inteiro, devido as sombras das Mangueiras, e a água em abundância que permeava o solo do local, em que, se cavando 2 metros já dava água. O terreiro da casa sempre bem varrido e arejado, onde galinhas passavam o dia ciscando, trazia um clima de paz e tranquilidade para o derredor da residencia. No fundo do quintal, a "casinha", feita de taipa e coberta de palhas de coqueiro. A cozinha muito simples, comportava um fogão de carvão, feito de barro e tijolos, uma "bateria de alumínio", onde as panelas eram penduradas, sempre muito areadas, uma mesa, 4 tamboretes, uma forma grande e um pote médio reservavam a água, e um Petisqueiro guardava os pratos na parte superior, e mantimentos na inferior. Nos quartos camas com colchões de palha e lençóis de chita, sempre cheirosos à sabão de coco, e na sala, uma cuspideira atrás da porta, um jarro com um pé de comigo-ninguém-pode no canto, quadros com retratos de familiares na parede, uma namoradeira de palhinha, uma mesa forrada por uma toália bordada, com um jarro de flores, uma quartinha com um copo, e um rádio "rabo quente" de ondas curtas, adquirido em 1922, onde podia ouvir a Rádio Lisboa, e matar saudades da sua terra ao som dos Fados. Espalhados pela casa, lampiões à querosene pregados nas paredes iluminavam durante a noite.


Violina fez o Pedagógico e tornou-se professora, donde veio alfabetizar boa parte dos ticuqueiros* da Usina, vizinhos, e qualquer pessoa que a procurasse, tendo troncos de árvore como cadeiras, o terreiro da sua casa como sala de aula, e a parede como lousa. Mais tarde, como tornou-se afamada pelas suas alfabetizações, o proprietário da Usina a contratou como professora, e a mesma ia no trem que levava cana de açúcar, para dar aula em outras usinas e povoados próximos, pertencentes à Companhia Industrial. (Breve continuarei a curiosa história de vida de Violina)

*Ticuqueiros: Trabalhadores da cana-de-açúcar. Diz-se aqueles(as) que trabalham na "palha da cana", cortando e limpando a planta, a ser recolhida e manufaturada pela Usina.

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